WILSON PEGADO -REPRESENTANTE DA REDE GALEGA DE EMPRESAS EN ANGOLA–

Caros Empresários:

Angola, assim como os demais países no contexto mundial, tem estado a passar por uma fase de difícil recuperação económica, desde que os efeitos da crise global passaram a reflectir-se no desempenho económico do país. Após períodos áureos de crescimento, na ordem dos dois dígitos, Angola viu as suas perspectivas de crescimento continuado, goradas. Segundo as previsões do Banco Mundial, perspectiva-se, para o corrente ano, um crescimento na ordem dos 8% depois de uma retracção em 2009, estimada em 0,9%. Por outro lado, o Governo de Angola prevê uma aceleração do crescimento real do Produto Interno Bruto de 7% para 2011 e 15% para 2012.

Caracterizada como uma monoeconomia, obteve, no ano transacto, uma fraca performance com as exportações do petróleo que caíram abaixo soa 1,8 milhões de barris/dia. Por conseguinte, a queda das receitas do petróleo impeliram o Governo a realizar cortes na rubrica de Despesas de Investimento induzindo a contracção no consumo privado.

Como é vidente, a recuperação do crescimento da economia angolana e o subsequente desenvolvimento, passa, naturalmente, pela diversificação da sua economia com a dinamização, por conseguinte, do Sector Não-petrolifero sustentada numa estratégia focalizada para o mercado interno executada numa perspectiva de reforço do PIB (assente numa dose maciça de investimento externo) em que se vislumbre a gradual substituição das importações pelas exportações. Neste quadro, Angola deverá também contar com o aumento da procura externa – em face de uma recuperação mundial. Para a consumação deste aspiração o Governo de Angola assenta a sai estratégia na canalização de recursos para o relançamento da agricultura e fomento da agro-indústria e da industria transformadora, perspectivando a potenciação e consolidação do processo de diversificação da economia do país.

De acordo com dados das Alfândegas de Angola as importações angolanas registaram uma quebra de 12,5% em 2010 e as exportações aumentaram em cerca de 52,3%. Portugal regista o maior palmarés nas importações para Angola, seguindo-se da Holanda, China, Estados Unidos, Brasil e África do Sul. Quanto as exportações, a China em primeiro lugar representa 42,3% do total, seguindo-se dos Estados Unidos, Índia, França, Taiwan, Africa do SUL e Canadá. Portugal encontra-se na 10ª posição. De todo modo, a economia Angola continua fortemente dependente das importações – processo que perdurará enquanto não se desenvolverem competências internas sustentáveis que permitam mitigar significativamente essa dependência externa. Neste sentido e em consonância com a perspectiva de diversificação da economia, as iniciativas de implantação de pequenas e médias empresas serão acolhidas com considerável apreciação pelo Governo Angolano.

O principal objectivo da representação da Rede Galega de Empresas em Angola, consiste em incentivo as empresa da Rede a participarem com maior vigor no processo de desenvolvimento e fortalecimento da economia angolana, promovendo as parcerias que se considerarem estrategicamente oportunas e tornando a nossa representação numa entidade local de referência – não só em Angola, na zona Central e Austral de Africa, promovendo e ampliando as relação entre as Empresas da Rede e essas regiões.

Sendo Angola a segunda maior economia da Região Austral de África, com tendências de forte crescimento e exercendo cada vez mais um papel estratégico no cenário económico e geopolítico desta Região de Africa, consideramos a perspectiva de colocar em marcha um Plano de Actuação com foco no sistema Logístico e Distribuição de Bens Essenciais à População – abraçando as mais-valias que poderão estender-se pela Região Austral, com a criação das zonas de desenvolvimento económico na capital do país –, uma vez que a implantação de indústrias que poder-se-ia centrar numa segunda fase, solicita um processo mais meticuloso de extenso.

O referido Plano de Acção poderá passar pela: formulação inicial de uma agenda social de negócios para se identificarem oportunidades de negócios nos diversos mercados da Região procurando inserir as empresas da Rede no desenvolvimento das economias dessas Regiões desenvolvendo as suas economias a partir da oferta dos seus produtos, serviços, tecnologia e conhecimento; celebração de contactos com importadores e distribuidores que devessem culminar com a organização de rondas de negócios; etc. A Galiza tem uma indústria forte poderá oferecer uma gama de produtos diversificados não sã para Angola, mas para toda Região Austral.

Importa referir que existem elementos históricos que reforçam a perspectiva de consolidação das relações comerciais entre a Galiza e Angola: O Reino de Espanha foi o 5.º País do Mundo a reconhecer a independência de Angola em 1975, demonstrando na altura, uma decisão corajosa e avançada para o seu tempo; Existem empresários e instituições espanholas a trabalharem em Angola, cooperando em programas de desenvolvimento económico; As trocas comerciais entre Angola e Espanha só em 2009 atingiram perto de 1,2 biliões de euros, com mais de 279 empresas a exportaram para Angola, fundamentalmente em bens industriais e meios de equipamentos; Actualmente existem mais de 25 empresas de direito angolano constituídas em sociedades entre angolanos e espanhóis nos sectores da saúde, agricultura, construção, indústria transformadora, imobiliária e comércio.

Angola atravessa um momento histórico singular de desenvolvimento onde o Governo procura inserir a iniciativa privada no esforço de reconstrução do País, criando oportunidades de negócios em vários sectores da economia. Os ganhos dessa relação não são apenas económicos, mas também culturais e sociais. Assim sendo, devemos lograr este momento de reorganização da nova ordem económica mundial para fortalecermos as relações entre a Península Ibérica e Africa Austral, ocupando novos e importantes espaços no cenário internacional de negócios.